Para Juliana não existem limites, mas muita vontade de vencer!

Juliana tem 32 anos. Está na Adere há mais de cinco. Ela nasceu com PC (paralisia cerebral), mas nasceu, também, com uma determinação incrível. Virou referência não só para seus colegas de dia a dia, na instituição, como para os profissionais. Para eles, este é mais um exemplo de que não se pode impor limites ao outro, porque cada um sabe até onde é capaz de ir.





Quando Juliana chegou a Adere, ela não conseguia realizar muita coisa. A coordenação motora foi bastante prejudicada pela paralisia, assim como a fala. Mas os profissionais perceberam o seu desejo de se superar.

Como a proposta da Adere é olhar o atendido de forma integral, a equipe atua em conjunto, ou seja, é multidisciplinar, identificando e desenvolvendo as habilidades e os potenciais de cada um... Ninguém é visto em partes, mas de forma global.

A abordagem começa pela arte. Por isso, Juliana aprendeu tecelagem. No entanto, a malha de tecer precisou ser adaptada para que ela conseguisse traçar os fios, uma de suas vitórias. Depois trabalhou com papel, colagem e outras atividades que, no seu conjunto, contribuíram para que Juliana tivesse contato com competências que ainda não conhecia. Essas descobertas só a motivaram mais.

Um dia, ela mostrou interesse em se juntar ao grupo que faz as peças em mosaico, um desafio e tanto, já que Juliana não tem pleno controle dos movimentos dos braços e mãos. Mas o apoio dos profissionais da Adere, que não trabalham com limitações, mas com possibilidades, foi suficiente para dar início à experiência.

No começo, Juliana derrubava tudo da mesa. Porém, com o tempo, e muita paciência, dominou o ofício. Inicialmente, faltava-lhe força para cortar as pastilhas, só que ela não se fez de rogada e descobriu uma forma própria de realizar mais essa tarefa: a mão direita segura o alicate com a pastilha e o pulso da esquerda sobre ambos, para reforçar o movimento e fazer o corte. Outra vitória, seguida de muitas mais, até chegar aos detalhes, no corte e colagem perfeitos dos pedacinhos geometricamente produzidos, que dão origem a objetos lindos, coloridos e decorativos.



A Juliana foi muito além de seus limites. Para a equipe, ela pode avançar ainda mais. Atualmente, participa do teatro e, há algum tempo, quis frequenta a turma de Lian Gong, uma prática chinesa, que reúne movimentos, postura, respiração, concentração, tendo ao fundo uma música que define o ritmo de tudo isso.

Os reflexos involuntários de Juliana não a impediram de aprender a se concentrar e a seguir o grupo com total atenção. Recentemente, aliás, ela se apresentou pela primeira vez com o grupo, em um evento público no Parque do Ibirapuera (SP). “Foi um sucesso!”, comemoram os profissionais.

Outra atividade que encanta Juliana é caminhar. Como ela enfrenta muita dificuldade para acompanhar os colegas no passeio a pé que fazem todos os dias, os profissionais da educação física criaram um circuito, na quadra da instituição, para fortalecê-la. Também propuseram que fizesse esteira e bicicleta, sugestões aceitas na hora. Assim, Juliana vai se desenvolvendo e se descobrindo.

Quando perguntada sobre o que sente ao superar um desafio, ela responde, driblando a dificuldade da fala: “Sinto muito orgulho de mim!”. Nós também, Juliana. Muito orgulho e admiração pela sua força e desejo de ser mais e melhor sempre!


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